A Apple apresentou nesta quarta-feira (9) o iPhone Duo, seu primeiro celular dobrável. O aparelho combina uma tela externa de 5,4 polegadas com um painel interno de 7,6 polegadas, usa o chip A20 Pro e chegará ao Brasil a partir de R$ 21.999. Nos Estados Unidos, o preço inicial oficial é de US$ 1.999.
A estreia marca uma mudança importante para a linha: em vez de apenas aumentar a tela de um iPhone convencional, a Apple criou uma versão do iOS 27 para dois formatos de uso. Fechado, o Duo funciona como um smartphone compacto; aberto, ganha espaço para vídeo, jogos, desenho e dois aplicativos lado a lado.
Duas telas com a mesma proporção
Segundo o anúncio oficial da Apple, as duas telas Super Retina XDR têm a mesma proporção. Isso permite que o conteúdo mude de tamanho sem reorganizações tão bruscas quando o aparelho é aberto ou fechado.
O painel externo de 5,4 polegadas oferece, de acordo com a empresa, 90% da área útil da tela do iPhone 18 Pro. Já a tela interna de 7,6 polegadas tem área 50% maior que a do iPhone 18 Pro Max. As duas contam com ProMotion, modo Sempre Ativo e brilho externo máximo de 3.000 nits.
Na tela interna, a Apple aplicou acabamento nanotexturizado para reduzir reflexos e tornar o vinco menos perceptível. A câmera de FaceTime fica sob o painel e aparece apenas quando é usada. O Touch ID foi instalado no botão lateral, escolha que evita depender de uma única posição do aparelho para autenticação.
A empresa também prometeu suporte ao Apple Pencil com USB-C ainda em 2026. A data exata e os aplicativos compatíveis não foram detalhados.
Dobradiça com mais de 100 componentes
O corpo usa titânio grau 5 e a dobradiça reúne mais de 100 componentes. A estrutura foi projetada para apoiar o centro da tela quando o aparelho está aberto, enquanto ímãs ajudam a manter o fechamento alinhado. O lado externo recebe Ceramic Shield na traseira e Ceramic Shield 2 na tela; a proteção contra água e poeira é IP68.
A Apple afirma que a camada polimérica sobre a tela dobrável é até 40% mais rígida que outros materiais usados pela indústria. Ainda assim, resistência a longo prazo, visibilidade do vinco e comportamento da dobradiça só poderão ser avaliados com testes independentes. A cobertura do Canaltech sobre o lançamento também destaca que o produto entra em uma categoria na qual esses pontos pesam tanto quanto a ficha técnica.
A20 Pro, duas baterias e eSIM
O iPhone Duo usa o mesmo A20 Pro dos modelos iPhone 18 Pro. O chip é fabricado em processo de 2 nanômetros e reúne CPU de seis núcleos, GPU de sete núcleos e dois Neural Engines de 16 núcleos. A Apple diz que a GPU é até 40% mais rápida que a do A19 Pro e que o sistema entrega até 35% mais desempenho sustentado que o iPhone 17 Pro.
Para controlar o calor em um corpo dividido, o aparelho conecta o chip a uma câmara de vapor própria. Há uma bateria em cada metade. Nos testes da fabricante, o Duo alcançou até 31 horas de reprodução de vídeo na tela interna, 44 horas na externa ou 24 horas de uso quando os dois painéis são utilizados em proporções semelhantes.
O carregamento com fio chega a 50% em cerca de 20 minutos. Com MagSafe ou Qi2, a mesma carga leva aproximadamente 30 minutos. Esses números são condições de laboratório divulgadas pela Apple e podem variar conforme brilho, rede, aplicativos e temperatura.
O modelo será vendido somente com eSIM em todo o mundo. No Brasil, isso exige uma operadora com suporte à ativação digital. O chip N1 adiciona Wi‑Fi 7, Bluetooth 6 e Thread, enquanto o modem C2 assume a conexão celular.
Câmeras aproveitam o formato dobrável
Na traseira, o Duo tem câmera principal Fusion de 48 MP e ultrawide também de 48 MP. A câmera principal oferece enquadramento de 2x com qualidade óptica por recorte do sensor. A Apple também promete fotos em 48 MP sem atraso perceptível do obturador e gravação 4K a 120 quadros por segundo em Dolby Vision.
O formato abre possibilidades que não dependem apenas da qualidade do sensor. É possível apoiar o aparelho semiaberto para uma chamada ou vídeo, usar a tela externa como visor para quem está sendo fotografado e fazer selfies com as câmeras traseiras. Recursos como Smart Take tentam identificar, no próprio aparelho, quando as pessoas estão prontas para a foto.
iOS 27 ganha multitarefa própria
O iPhone Duo chegará com iOS 27.1. Aberto, ele permite usar dois aplicativos lado a lado, abrir duas janelas do mesmo app e salvar pares para retomar depois. Apple, Netflix, Zoom, Slack e Detail estão entre as empresas que já mostraram interfaces adaptadas.
A utilidade desse formato dependerá do ritmo de atualização dos aplicativos. Em software não adaptado, a tela maior pode acabar apenas ampliando uma interface pensada para celular. A experiência também precisa ser avaliada no uso diário antes de concluir se o Duo substitui um iPad mini ou apenas ocupa um espaço intermediário.
Preço e lançamento no Brasil
O iPhone Duo terá 256 GB, 512 GB, 1 TB ou 2 TB e será oferecido nas cores branco-estrela e céu noturno. A Apple Store brasileira já lista o modelo de 256 GB por R$ 21.999. Nos Estados Unidos, a mesma capacidade parte de US$ 1.999.
Os valores são preços oficiais de cada mercado, não uma conversão direta. Impostos, logística, garantia e estratégia comercial fazem com que a diferença não acompanhe apenas o câmbio.
A pré-venda começa em 16 de outubro, e a disponibilidade está prevista para 23 de outubro, inclusive no Brasil. Até lá, continuam abertas perguntas que a apresentação não responde: durabilidade da tela após milhares de ciclos, qualidade da câmera sob o painel, compatibilidade real de aplicativos e custo de reparo.
O iPhone Duo é, portanto, a maior mudança física do iPhone em anos, mas também o produto mais caro da linha. A combinação de tela grande e multitarefa é promissora; a decisão de compra dependerá de como dobradiça, software e assistência se comportarem fora do palco.